Server-side tracking: O guia de sobrevivência para o fim dos cookies

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Descubra como recuperar dados perdidos, blindar suas métricas e garantir o ROI das suas campanhas em um mundo sem cookies de terceiros

Duas pessoas observando uma sala de servidores futurista com luzes verdes e dados fluindo, representando a infraestrutura robusta do Server-side tracking.
Foto meramente ilustrativa: @freepik.com

Você já teve a sensação de que suas campanhas de marketing estão “voando às cegas”? O ROI no painel do Meta Ads não bate com o do Google Analytics, e o número real de vendas na plataforma de e-commerce é diferente de ambos. Se isso soa familiar, você não está sozinho. Com o endurecimento das políticas de privacidade e o fim iminente dos cookies de terceiros, a forma tradicional de coletar dados está colapsando. É neste cenário crítico que o server-side tracking (rastreamento do lado do servidor) se torna uma necessidade vital de sobrevivência.

Por isso, neste artigo, vamos desmistificar essa tecnologia. Você vai entender como ela resolve a perda de dados causada por bloqueadores e navegadores restritivos, garantindo que você continue tomando decisões baseadas em números reais, e não em estimativas falhas. Portanto, prepare-se para retomar o controle da sua operação digital.

O QUE ESTÁ ACONTECENDO COM OS DADOS ATUAIS?

Para entender a solução, precisamos diagnosticar o problema. Historicamente, a mensuração de dados na web sempre dependeu do Client-side tracking (rastreamento do lado do cliente). Nesse modelo, o navegador do usuário (Chrome, Safari, Firefox) é o responsável por carregar scripts e pixels de terceiros (como o Pixel do Facebook ou a tag do Google Ads) para registrar uma conversão.

No entanto, esse modelo está quebrado. Navegadores modernos, liderados pelo Safari (com o ITP – Intelligent Tracking Prevention) e agora o Chrome, estão bloqueando cookies de terceiros agressivamente.

O resultado? Uma parcela significativa das suas vendas e leads simplesmente não aparece nos relatórios de mídia. Ou seja, se o navegador bloqueia o script, para a plataforma de anúncio, aquela venda nunca aconteceu. Isso destrói a inteligência do algoritmo, encarece o tráfego e dificulta a otimização de campanhas.

CLIENT-SIDE VS. SERVER-SIDE

No universo da tecnologia e marketing, é essencial entender a distinção entre esses dois termos frequentemente usados em inglês:

Client-side tracking (Rastreamento do lado do cliente): é o método tradicional. Ocorre no dispositivo do usuário (“cliente”), o navegador carrega os scripts. É fácil de instalar, mas vulnerável a bloqueadores de anúncios, falhas de conexão do usuário e restrições de privacidade do navegador.

Server-side tracking (Rastreamento do lado do servidor): é a evolução. Ou seja, em vez do navegador enviar os dados para o Meta ou Google, ele envia para o seu servidor (um intermediário seguro). É o seu servidor que processa e envia a informação para as plataformas de publicidade. O usuário não “vê” esse processo, e os bloqueadores não conseguem impedi-lo facilmente.

Imagem que apresenta as diferenças do  Client-side tracking do Server-side tracking
Imagem: Client-side tracking vs. Server-side tracking | Google

COMO O SERVER-SIDE TRACKING RESOLVE O PROBLEMA

A grande “mágica” do server-side tracking reside na mudança de controle. Portanto, ao mover a coleta de dados para o servidor da empresa, você cria um ambiente controlado, fora do alcance das restrições impostas pelos navegadores ou extensões instaladas pelos usuários.

Veja como isso transforma sua operação:

  • Blindagem contra AdBlockers: como a comunicação acontece entre servidores (do seu site para a API da Meta / Facebook, por exemplo), extensões de navegador não conseguem interceptar ou bloquear o envio do evento de conversão.
  • Qualidade e precisão dos dados: o servidor centraliza o processamento. Isso elimina discrepâncias causadas por falhas na internet do usuário no momento exato do carregamento do pixel. Dados mais precisos significam algoritmos de mídia mais inteligentes.
  • Privacidade e segurança (LGPD): os dados são processados em um ambiente seguro antes de serem compartilhados. Isso permite que você filtre o que será enviado para terceiros, garantindo maior conformidade com a LGPD e o GDPR, transmitindo maior confiança ao consumidor.

PERFORMANCE DO SITE

Além disso, existe um benefício técnico que agrada tanto aos usuários quanto ao Google: a velocidade de carregamento.

Por exemplo, no modelo antigo (Client-side), o navegador do usuário precisava carregar dezenas de scripts pesados (Analytics, Hotjar, Facebook, Google Ads, TikTok, etc.). Isso tornava o site lento e a navegação travada.

Por outro lado, com o server-side tracking, essa carga é transferida para a nuvem. O navegador carrega menos scripts, o que resulta em páginas mais rápidas e uma experiência de navegação mais fluida. E, como sabemos, velocidade é um fator direto de ranqueamento no SEO e de conversão no e-commerce.

UM CASO COMO EXEMPLO

Para ilustrar o impacto real dessa tecnologia, vamos analisar um cenário (baseado em desafios reais do mercado) de uma empresa no segmento de eletrônicos.

Esta loja enfrentava um problema sério: o painel do Google Ads reportava 20% menos vendas do que o sistema interno (ERP) da loja. Ao auditar o tráfego, a equipe notou que grande parte do público acessava o site via dispositivos iOS (iPhones), que possuem proteções de privacidade nativas muito fortes.

A solução adotada: a empresa decidiu implementar o Server-side tracking utilizando o Google Tag Manager (GTM) Server-Side em conjunto com a API de Conversões do Facebook (CAPI) e o GA4 Server-Side.

Os resultados obtidos:

  • Recuperação de dados: o “gap” (diferença) entre o painel de anúncios e o banco de dados da loja caiu de 20% para menos de 5%. Isto é, as vendas que antes eram invisíveis passaram a aparecer nos relatórios.
  • Redução do CPA: com o algoritmo das plataformas de anúncio recebendo mais dados de conversão reais, ele conseguiu otimizar a entrega dos anúncios. Desse modo, o Custo por Aquisição (CPA) reduziu em 15% após dois meses de aprendizado de máquina com dados melhores.
  • Experiência do usuário: a velocidade de carregamento da página de checkout melhorou significativamente, pois os scripts de rastreamento pesados foram movidos para o servidor.

Embora este seja um exemplo ilustrativo, ele reflete exatamente o movimento que grandes players estão fazendo. Por exemplo, o próprio Google lançou o “Google Tag Manager Server-Side” para facilitar essa migração, e a Shopify está migrando gradualmente para soluções server-side para oferecer melhor segurança e conformidade.

A IMPLEMENTAÇÃO É COMPLEXA?

Muitos gestores temem a complexidade técnica, e é justo dizer que a barreira de entrada é maior do que no método antigo. Embora a configuração inicial exija um conhecimento técnico de infraestrutura (lidar com contêineres em nuvem, como Google Cloud Platform ou AWS), o mercado evoluiu para simplificar isso.

O rastreamento do lado do servidor representa a próxima geração de coleta e mensuração. Não é uma “gambiarra” temporária, mas uma nova arquitetura da internet.

Contudo, é vital ter um parceiro especializado, pois uma implementação incorreta pode gerar problemas graves, como:

  • Duplicação de dados: se você não configurar a “deduplicação” corretamente, pode acabar contando a mesma venda duas vezes (uma pelo navegador e outra pelo servidor), inflando falsamente seus resultados.
  • Custos de servidor: diferente do método antigo que usava o processamento do usuário (grátis para você), o método server-side usa o seu processamento em nuvem, o que pode gerar custos mensais que precisam ser dimensionados.

O FUTURO DA MENSURAÇÃO DOS DADOS

O server-side tracking é a resposta definitiva para um mundo onde a privacidade é prioridade. À medida que as leis de proteção de dados se tornam mais rigorosas e os navegadores fecham ainda mais o cerco contra cookies, depender exclusivamente do navegador do usuário para medir o sucesso do seu negócio torna-se uma estratégia de altíssimo risco.

As empresas que adotam essa tecnologia hoje não estão apenas “corrigindo um problema técnico”; elas estão construindo uma vantagem competitiva. Elas terão dados mais ricos, sites mais rápidos e maior segurança jurídica do que seus concorrentes que permanecem estagnados no modelo antigo.

CONCLUSÃO

A era da coleta de dados “fácil, barata e irrestrita” acabou. No entanto, isso não significa o fim do marketing de performance ou da inteligência de dados. Pelo contrário, estamos entrando em uma fase mais madura, profissional e respeitosa com o usuário.

O server-side tracking é a ponte tecnológica que permite ao seu e-commerce atravessar esse vale de incertezas trazido pelo fim dos cookies. Ele devolve a visibilidade das suas vendas, protege a privacidade do seu cliente e garante que cada centavo investido em mídia seja contabilizado corretamente. Ignorar essa mudança é aceitar navegar com um mapa incompleto.

A adoção dessa tecnologia é um passo necessário para as empresas que desejam prosperar no novo mundo da privacidade de dados.

Seu e-commerce está realmente pronto para a era pós-cookies ou você continua perdendo vendas invisíveis? Não deixe sua operação no escuro. Fale hoje mesmo com os especialistas da e-Plus e implemente a infraestrutura de dados que garante performance e segurança para o seu negócio

PERGUNTAS FREQUENTES SOBRE SERVER-SIDE TRACKING

O que é Server-side tracking e como ele difere do método tradicional?

O Server-side tracking (rastreamento do lado do servidor) processa e envia dados de comportamento do usuário a partir do servidor do seu site (ou um contêiner na nuvem), em vez de fazê-lo diretamente do navegador do usuário (Client-side). Isso garante maior precisão e segurança, pois não depende de cookies que podem ser bloqueados por navegadores ou extensões.

O Server-side tracking ajuda a cumprir a LGPD?

Sim. Como os dados passam pelo seu servidor antes de serem enviados a terceiros (como Facebook, Google ou TikTok), você tem controle total sobre quais informações são compartilhadas. Isso facilita a filtragem de dados sensíveis e garante que o processamento esteja em conformidade com regulamentações de privacidade como a LGPD e o GDPR, aumentando a confiança do consumidor.

Essa tecnologia melhora a velocidade do meu site?

Sim, significativamente. Afinal, ao mover scripts de rastreamento pesados e pixels de terceiros do navegador para o servidor, você reduz a quantidade de código que o dispositivo do usuário precisa processar. Isso resulta em um carregamento de página mais rápido, melhor pontuação no Core Web Vitals e uma navegação mais fluida.

Por que preciso disso se já uso o Google Analytics?

O Google Analytics tradicional (Universal ou GA4 implementado apenas via navegador) sofre com bloqueios de cookies e restrições de navegadores como o Safari e o Chrome. O Server-side tracking complementa e protege sua coleta de dados, garantindo que as informações que chegam ao Analytics sejam precisas e completas, minimizando as perdas causadas por AdBlockers.

Server-side tracking funciona para Facebook Ads?

Perfeitamente. Na verdade, é a base da “API de Conversões” (CAPI) do Facebook. Essa tecnologia permite enviar eventos de compra, cadastro e lead diretamente do servidor para o Facebook, ajudando o algoritmo de anúncios a otimizar campanhas e reduzir o CPA, mesmo quando o usuário utiliza dispositivos iOS com rastreamento bloqueado.