
Enquanto a entrega em casa segue como padrão, a Europa vem construindo em ritmo acelerado uma malha paralela de pontos de coleta e retirada. Só a Geopost alcançou 140 mil desses pontos no continente em 2025, o suficiente para deixar 94% da população europeia a menos de dez minutos de um local de retirada, segundo a própria empresa. É o avanço do modelo PUDO (pick up, drop off), que já reorganiza a última milha lá fora e começa a aparecer nas conversas do varejo digital brasileiro.
Para o e-commerce, o ponto é direto: a etapa final da entrega costuma ser a mais cara e a mais sujeita a falhas. Entender como o PUDO funciona ajuda a decidir se e quando vale a pena oferecer essa alternativa aos clientes.
Neste artigo você vai ler:
PUDO: o que importa saber agora
- PUDO significa pick up, drop off: são pontos físicos (lockers automáticos, agências de transportadoras e lojas parceiras) onde o consumidor retira ou posta encomendas em vez de esperar por uma entrega em casa.
- O modelo ataca o trecho mais caro da operação: a última milha responde por 41% dos custos logísticos totais da cadeia de suprimentos, segundo o Capgemini Research Institute, boa parte disso por causa de tentativas frustradas.
- A infraestrutura cresce rápido na Europa: a InPost encerrou 2024 com 46.977 lockers, alta de 33% em um único ano, de acordo com os números da própria empresa.
- Há ganho ambiental mensurável: concentrar entregas em lockers pode reduzir em até 32% as emissões de CO₂ em comparação com a entrega domiciliar, segundo o Instituto de Economia de Transporte da Noruega (TØI).
- No Brasil, o cenário ainda é inicial: cerca de 85% das entregas acontecem no modelo domiciliar (Grupo Clique, 2024), o que indica um espaço amplo para o formato crescer.
O que é PUDO e como funciona
PUDO é a sigla em inglês para pick up, drop off: locais que funcionam como ponto de coleta e de postagem de encomendas. Em vez de o entregador ir até o endereço do comprador, o pacote fica disponível em um local próximo, e o cliente passa para retirar quando for conveniente. O mesmo ponto costuma aceitar devoluções e postagens.
Na prática, o consumidor escolhe o ponto no momento da compra, recebe um código ou aviso quando a encomenda chega e retira apresentando esse código ou um documento. A operação elimina o principal gargalo da entrega domiciliar: encontrar alguém em casa.
Por que o PUDO avança na última milha
A conta que sustenta o modelo é logística. Quando um entregador leva dezenas de pacotes para endereços diferentes, cada parada tem custo e cada ausência gera uma nova tentativa. Em um ponto PUDO, várias encomendas chegam ao mesmo lugar e são retiradas pelos próprios clientes, o que reduz quilômetros rodados, tentativas perdidas e horas de rota. Não à toa a última milha concentra 41% dos custos logísticos da cadeia, segundo o Capgemini Research Institute.
Esse desenho também melhora a taxa de sucesso na primeira tentativa, um indicador que pesa diretamente no custo por entrega. Cada reentrega significa combustível, tempo e, muitas vezes, um cliente insatisfeito.
A escala europeia mostra para onde a curva aponta. Além dos 140 mil pontos da Geopost, operadores dedicados a lockers avançam depressa: a InPost fechou 2024 com 46.977 armários automáticos, um crescimento de 33% em relação ao ano anterior. Quanto mais densa a rede, mais perto o ponto fica do cliente e é a proximidade que torna o modelo atraente.
Do lado do consumidor, conveniência e previsibilidade explicam a adesão. Retirar no caminho de casa ou do trabalho, dentro de um horário amplo, evita a espera pela janela de entrega. Há ainda o argumento ambiental: segundo o Instituto de Economia de Transporte da Noruega, substituir entregas domiciliares por retirada em lockers pode cortar até 32% das emissões de CO₂, desde que o cliente não use o carro só para buscar o pacote.
Os formatos de PUDO: locker, agência e loja parceira
O termo PUDO abrange modelos diferentes, e cada um serve melhor a um tipo de operação.
| Formato | Como funciona | Melhor para |
|---|---|---|
| Locker automático | Armário inteligente disponível 24h; retirada por código, sem atendente | Áreas de grande fluxo e clientes que querem rapidez |
| Agência de transportadora ou dos Correios | Balcão com atendimento humano para retirada e postagem | Regiões de menor densidade e quem prefere ser atendido |
| Loja parceira de bairro | Comércio local que também funciona como ponto de coleta | Capilaridade em bairros; gera fluxo extra para o lojista |
A escolha raramente é exclusiva. Redes maduras combinam os três formatos para cobrir áreas densas com lockers e ampliar o alcance com pontos atendidos. A Geopost, por exemplo, chegou aos 140 mil pontos misturando cerca de 100 mil lojas parceiras e 40 mil lockers, sinal de que a densidade da rede, mais do que um formato único, é o que torna o modelo viável.
PUDO no Brasil: um mercado em formação
O Brasil ainda está no começo dessa curva. Estimativas do Grupo Clique indicam que, em 2024, cerca de 85% das entregas seguiam o modelo domiciliar, contra poucos pontos percentuais somados de retirada em loja, pontos de coleta e lockers. É o oposto do que se vê em mercados europeus mais avançados e, por isso mesmo, o espaço de crescimento é grande.
O pano de fundo favorece o avanço. O e-commerce brasileiro superou R$ 200 bilhões em 2025 e deve chegar a R$ 258 bilhões em 2026, segundo a ABComm. Mais volume significa mais pressão sobre a etapa final. Pedro Moreira, presidente da Abralog, resume o desafio: a última milha é “uma das etapas mais caras e complexas da cadeia de distribuição” e responde por 40% a 55% dos custos de transporte, agravada por congestionamento urbano, restrições municipais de circulação e falta de entregadores.
Nesse contexto, o PUDO torna-se cada vez mais uma resposta possível a um problema local concreto: como entregar mais, com custo menor, em cidades congestionadas. A combinação de lockers em pontos de grande circulação com lojas de bairro atuando como pontos de coleta é o caminho mais provável para ganhar capilaridade sem depender só da entrega porta a porta.
Vale acompanhar essa mudança
O PUDO ainda é jovem no Brasil, mas a direção do mercado é clara: quanto mais o e-commerce cresce, mais cara e disputada fica a última milha, e mais valor ganham os modelos que a tornam eficiente. Entender agora como esses pontos funcionam ajuda o varejo digital a se preparar para a próxima fase da logística.
Para continuar se aprofundando em logística e operação de e-commerce, vale explorar os outros conteúdos do blog da e-Plus, onde acompanhamos de perto as tendências que moldam o varejo digital.
PERGUNTAS FREQUENTES
O que significa PUDO na logística?
PUDO é a sigla em inglês para pick up, drop off. Refere-se a pontos físicos (como lockers automáticos, agências e lojas parceiras) onde o consumidor retira encomendas que comprou online ou posta devoluções, no lugar de receber tudo em casa. É uma alternativa à entrega domiciliar tradicional.
Qual a diferença entre PUDO e locker?
O locker é um dos formatos de PUDO, não um conceito separado. PUDO é o termo guarda-chuva para qualquer ponto de coleta e retirada. O locker é a versão automatizada, um armário inteligente com acesso por código; já uma agência ou loja parceira é um ponto PUDO com atendimento humano.
PUDO reduz o custo de entrega?
Sim, quando bem operado. Ao concentrar várias encomendas em um mesmo ponto e transferir a retirada para o próprio cliente, o modelo reduz quilômetros rodados e tentativas frustradas, que estão entre os maiores custos da última milha, responsável por 40% a 50% da distribuição, segundo a Capgemini.
O modelo PUDO já funciona no Brasil?
Funciona, mas ainda em escala pequena. Cerca de 85% das entregas no país seguem o modelo domiciliar (Grupo Clique, 2024). Redes de lockers e pontos de coleta em lojas parceiras vêm se expandindo, impulsionadas pelo crescimento do e-commerce e pela pressão de custos na última milha.